Publicado por: marcospauloteixeira | Dezembro 13, 2008

Deve-se acreditar no PURGATÓRIO?

Deve-se acreditar no PURGATÓRIO?

O relativismo criou no povo um sentimento de que não precisamos de religião para acreditar em Deus; isso leva a um distanciamento das verdades reveladas. Mas o que são verdades reveladas? São as verdades que não foram pensadas por nós, mas o próprio Deus manifestou essas realidades para que nós o compreendêssemos. Ora, tais verdades são reveladas para a Igreja (instituição) e quando nos afastamos dela não temos acesso a essas revelações. Hoje está em moda afirmar que o purgatório é uma invenção da Igreja Católica. Os protestantes não acreditam no purgatório. Neste artigo veremos os fundamentos de tal doutrina.

Não devemos entender o “purgatório” como um local, e sim como um estado em que as almas dos fiéis que morrem no amor de Deus, mas ainda portadoras de inclinações desregradas e resquícios do pecado, se libertam destas escórias mediante a purificação do seu amor.

Qual a fundamentação bíblica do purgatório? Obs.: use uma Bíblia para acompanhar o raciocínio.

Leia 2Mc 12,39-46… Nesta passagem apresenta soldados judeus que haviam morrido em defesa das suas tradições religiosas, mas portadores de pequenos ídolos (o que era incoerente). Ora, eles tinham morrido piedosamente (diz o texto, v.45), mas ficaram aderências do mal, das quais deviam ser purificados a fim de conseguir “a bela recompensa”. E Judas Macabeu julgava que, em vista dessa purificação, lhes podiam ser úteis os sufrágios dos vivos.

Agora leia 1Cor 3,10-16. Neste texto São Paulo fala sobre os pregadores que edificam sobre Cristo e não sobre fundamento falso. Uns, porém, constroem com zelo (ouro, prata…); outros, com tibieza (feno, palha). O dia do julgamento revelará o empenho de cada operário. Os primeiros não terão o que temer, os outros sofrerão detrimento, porém não deixarão de se salvar; salvar-se-ão depois de provar a angústia devida às suas obras imperfeitas (o que insinua o tipo de salvação que ocorre mediante o purgatório, ou seja, um lugar de purificação).

Jesus Cristo também se refere a um lugar que não é o céu e nem o inferno. Cf. Mt 5,25-26: “Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo”. Vemos claramente que a idéia de Jesus é que aqueles que morrem com pecados passarão por um cárcere (metáfora), donde o homem sai depois de ter expiado por completo.

“ Na passagem de Mc 3,29, também há uma imagem nítida do Purgatório: “Mas, se o tal administrador imaginar consigo: ‘Meu senhor tardará a vir’. E começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar (…) e o mandará ao destino dos infiéis. O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensíveis será açoitado com poucos golpes.” (Lc 12,45-48). É uma referência clara ao que a Igreja chama de Purgatório. Após a morte, portanto, há um “estado” onde os “pouco fiéis” haverão de ser purificados” (Aquino, 2007).

“A Passagem de São Pedro 1Pe 3,18-19; 4,6, indica-nos também a realidade do Purgatório:”Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados (…) padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos na prisão, aqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes (…).” Nesta “prisão” ou “limbo” dos antepassados, onde os espíritos dos antigos estavam presos, e onde Jesus Cristo foi pregar durante o Sábado Santo, a Igreja viu uma figura do Purgatório. O texto indica que Cristo foi pregar “àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes”. Temos, portanto, um “estado” onde as almas dos antepassados aguardavam a salvação. Não é um lugar de tormento eterno, mas também não é um lugar de alegria eterna na presença de Deus, não é o céu. È um “lugar” onde os espíritos aguardavam a salvação e purificação comunicada pelo próprio Cristo”(Aquino, 2007).

Em 1Jo 5-16-17 lê-se: “Se alguém vê seu irmão cometer um pecado que não o conduza à morte, reze, e Deus lhe dará a vida; isto para aqueles que não pecam para a morte. Há pecado que é para morte; não digo que se reze por este. Toda iniqüidade é pecado, mas há pecado que não leva à morte”. Sabemos que o pecado possui dupla conseqüência ou penas: a eterna e a temporal. A pena eterna pode ser retirada do pecador mediante o sacramento da confissão; a pena temporal, ou seja, os pecados veniais que cometemos diariamente, pode ser reparado nesta vida por meio dos sofrimentos, dificuldades e das indulgências ou após a morte pelo purgatório. Esse pensamento é válido já que no céu não pode entrar pecado (cf. Ap 7,9).

Em seu livro “Purgatório. O que a Igreja ensina” o prof. Felipe Aquino coloca as palavras de São Gregório Magno já no ano 604 mostrando que a Igreja sempre teve esse pensamento:

São Gregório Magno (†604), Papa e doutor da Igreja, explicava o Purgatório a partir de uma palavra de Jesus: “No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,31). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro” (Dial. 41,3). O pecado contra o Espírito Santo, ou seja, a pessoa que recusa de todas as maneiras os caminhos da salvação, não será perdoado nem neste mundo, nem no mundo futuro. Mostra o Senhor Jesus, então, neste trecho, implicitamente, que há pecados que serão perdoados no mundo futuro, após a morte.

Devemos excluir do nosso pensamento que no purgatório há fogo ou é um inferno em miniatura. Segundo Dom Estêvão Bettencourt, o purgatório trata-se de um estado no qual a criatura se arrepende por ter condescendido com a moleza e a indefinição; a alma toma consciência de que foi cercada pelo amor de Deus no decorrer de toda a sua vida e o ignorou ou esbanjou (amarga consciência!). Esta verificação não pode deixar de ser dolorosa, de mais a mais que a criatura percebe que, por causa da sua indefinição na terra, lhe é postergada a entrada no gozo definitivo de Deus; é-lhe duro verificar que faltou ao encontro marcado com Deus, justamente após a morte, quando os fiéis mais fome e sede têm de Deus.
Ao contrário do que muitos pensam, o purgatório é também cheio de alegria. Esta alegria jorra da consciência que a pessoa tem, de que ela pertence ao amor de Deus de modo irreversível. Tal alegria supera a de qualquer prazer da terra.

D. Estêvão afirma que as almas que estão no purgatório não podem acelerar o processo de sua purificação, pois são incapazes de merecer algo, pois o período de mérito é somente a vida presente. Contudo os cristãos na terra podem ser-lhes úteis em virtude da comunhão que une os membros da Igreja entre si (trataremos sobre a comunhão dos santos em outro artigo); os méritos de uns beneficiam os outros. Por conseguinte os fiéis na terra podem oferecer a Deus sufrágios (orações, a S. Missa, obras meritórias…) em favor das almas do purgatório, afim de que o Senhor lhes dê a graça de serem mais profundamente penetradas pelo amor de Deus; amor que nelas deve consumir as impurezas do pecado.

Muitos perguntam onde se encontra na Bíblia a palavra purgatório. A palavra purgatório não se encontra na Bíblia, esta foi criada pela Igreja para ilustrar a realidade já expressa claramente na Bíblia. O verbo purgar significa purificar, eliminar as impurezas ou matérias estranhas, logo, purgatório significa lugar de purificação. Lembro que não devemos pensar em purgatório como lugar e sim como um estado da alma.

Referências:
BETTENCOURT, Estêvão Tavares. Curso de iniciação Teológica por correspondência. Módulo 32: OS NOVÍSSIMOS (I). Rio de Janeiro.

AQUINO, Felipe Rinaldo Queiroz de. Purgatório. O que a Igreja ensina. São Paulo: cleofas, 2007, 3ª ed.

PAPA, PAULO VI. Indulgentiarum Doctrina. Vaticano, 1967.

Autor: Marcos Paulo – 25/07/2008

 


Responses

  1. […] pedirão fundamentação bíblica do purgatório, já gostaria de indicar esse texto disponível em https://marcospauloteixeira.wordpress.com/2008/12/13/deve-se-acreditar-no-purgatorio/ […]


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