Publicado por: marcospauloteixeira | Dezembro 13, 2008

DEVE-SE ENSINAR O EVOLUCIONISMO OU CRIACIONISMO NAS ESCOLAS?

aaaa1Resolvi escrever esse artigo depois que um colega da faculdade me indagou se deveria ensinar o criacionismo nas escolas, já que a ciência tem muitos indícios que provam a veracidade do evolucionismo.

De início, é bom que fique claro que não existe oposição do criacionismo ao evolucionismo. As pessoas pensam que a evolução nega todos os princípios escritos no livro do Gênesis. Vejamos:

Existem quatro principais teorias que tentam explicar a origem do mundo e do homem. Elas são: o dualismo, o emanatismo, o materialismo e o criacionismo.

O dualismo é uma doutrina antiga que supõe dois princípios eternos: um bom e outro mau, responsáveis por tudo o que existe. Assim pensavam os pitagóricos, os persas, os maniqueus etc. Ora, tal teoria é falha por dois motivos: Primeiro porque admite dois eternos ou absolutos, o que destrói os conceitos de Eterno e Absoluto; só pode haver um Eterno e um Absoluto; dois seres “eternos” seriam simplesmente temporais e relativos; 2) o mal não é um princípio subsistente como o bem; o mal é uma carência de ser; não subsiste em si, mas só existe no bem.

O emanatismo é doutrina do hinduísmo. Pode ser chamado também de monismo (só existe uma substância real) e panteísmo (tudo é a própria Divindade posta em evolução). Supõe uma fonte suprema e perfeitíssima da qual vão emanando por evolução todas as realidades visíveis. Essa teoria admite haver no homem uma centelha de Deus. Incide no erro de imaginar que o Absoluto ou a Divindade se possa tornar relativo ou transitório; nisto há contradição.

O materialismo de K. Marx tenta explicar o mundo pela matéria posta em movimento dialético (tese, antítese e síntese). Todavia podemos perguntar: donde vem a matéria? É eterna, sem começo? Se não teve começo, é Deus, o que redunda em panteísmo, contrariamente às intenções de Marx.

Jacques Monod admite que o mundo seja o resultado do acaso (ou de um jogo de roleta) e de necessidades. Todavia:
1) a origem da matéria da roleta cósmica, no acaso, não é explicada;
2) o acaso não é sujeito que explique fenômenos, mas é o nome dado a um cruzamento de causas imprevisto ou não preparado

O Criacionismo é doutrina que afirma o criar a partir do nada. Difere de fazer ou fabricar, ações que supõe matéria preexistente. Só Deus cria, pois dá origem a todas as coisas em seu nível mais profundo, nível em que elas começam a ser. Em Deus não se pode absolutizar a lei da Física que afirma: “Na natureza nada se cria e nada se perde”; é verdade que nenhuma criatura é capaz de criar ou de aniquilar; todavia, desde que ultrapassemos o mundo das criaturas, para chegar ao Ser Absoluto, podemos logicamente admitir que esse Ser Absoluto seja apto a produzir pela raiz outros seres, não absolutos, mas finitos e criados.

Há quem pergunte: Que fazia Deus antes de Criar o mundo? Essa pergunta supõe um antropomorfismo, isto é, transfere para Deus categorias da existência e do agir do homem; este sim conhece passado, presente e futuro, de modo que se pode perguntar o que alguém fazia antes de começar alguma obra. Tal pergunta, porém, não tem propósito quando nos referimos a Deus, pois Este não conhece antes nem depois; Deus é eterno (o que quer dizer que Ele possui toda a sua existência não de maneira sucessiva, mas simultaneamente num único instante que não passa. Em outras palavras, Deus não está sujeito ao nosso tempo e espaço. A nossa linguagem falha ao se referir a Deus porque o ser humano não consegue imaginar nada fora do tempo e do espaço.

Somente o criacionismo satisfaz às exigências do pensamento lógico. É a doutrina adotada pela Sagrada Escritura e pela Tradição da Igreja.

No ano de 1215, o concílio de Latrão IV, tendo em vista o dualismo dos cátaros, definiu a existência de um criador de todos os seres visíveis e invisíveis, espirituais e corporais.

Pio XII, dirigindo-se à Pontifícia Academia de Ciências em 1951, exprimia de maneira muito bela e moderna a mesma doutrina:
“Parece que a ciência, saltando de um pulo de milhões de séculos, conseguiu fazer-se testemunha do primordial “Fiat lux”, quando do nada prorrompeu, com a matéria, um mar de luz e de radiações, enquanto as partículas dos elementos químicos se cindiram e se reuniram em milhões de galáxias” (Alocução Um’ ora de 22-11-51).

Então como conciliar o criacionismo com o evolucionismo?

É verdade que séculos atrás, os cristãos julgavam que os textos bíblicos, especialmente Gn 1 – 3, ofereciam uma descrição científica da origem do mundo e do homem. Todavia o progresso da lingüística, da arqueologia e da historiografia manifestaram aos estudiosos que os autores sagrados não tencionavam propor teorias de ciências naturais, mas sim, uma reflexão sapiencial (filosófico-teológica) sobre o mundo e o homem à luz de Deus. Por isso não se pode, a partir de Gn 1 – 3, concluir coisa alguma pró ou contra uma certa modalidade de evolucionismo.

Atenção: A literatura do livro do Gênesis não é falsa. Ela diz uma verdade (que Deus criou tudo) de uma maneira poética. Como Deus teria criado o mundo não é a intenção do autor sagrado; essa tarefa cabe as ciências naturais. Mas há uma verdade que não pode ser negada, alguém criou, e esse alguém é Deus.

Vejamos como conciliar criação e evolução.

O ato criador de Deus, do nada, criou a matéria inicial caótica e informe. Esta matéria teria evoluído e desenvolvido os reinos mineral, vegetal e animal irracional. Todos estes elementos são meramente materiais e, por isto, podiam estar contidos na potencialidade da matéria primitiva. Quando a matéria primata estava devidamente organizada para ser sede da vida humana ou de uma alma espiritual, ocorreu um novo ato criador de Deus para dar origem ao espírito (espírito é alma intelectiva), que é algo totalmente novo em relação à matéria e não pode provir desta por evolução. Assim concilia-se criação e evolução. Veja a figura acima.

Tal esquema atende às exigências mínimas da fé e da sã razão no tocante às origens do mundo e do homem. A ciência nada tem a lhe opor, porque ela versa sobre objetos concretos e experimentais, deixando a filosofia e a teologia o campo livre para a reflexão, da mesma forma, a teologia e a filosofia não intervêm em pesquisas científicas desde que estas, respeitem os princípios já expostos; em conseqüência, é a ciência que compete dizer, dentro dos limites definidos, se houve evolução e em que termos tenha ocorrido.

Em resposta a pergunta “Deve-se ensinar o evolucionismo ou o criacionismo nas escolas?” respondo que deve, sem nenhum problema, ensinar os dois, pois estas são teorias complementares.

Autor: Marcos Paulo – 21/07/2008

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