Publicado por: marcospauloteixeira | Dezembro 13, 2008

FUNÇÕES PSÍQUICAS E CRISTIANISMO: PARTE I (CONSCIÊNCIA)

FUNÇÕES PSÍQUICAS E CRISTIANISMO: PARTE I (CONSCIÊNCIA)

por Marcos Paulo Teixeira
No campo da psicologia médica encontramos as funções que regem a vida de cada ser humano. Com esse artigo iniciaremos uma reflexão sobre as funções psíquicas e a essência do cristianismo.
As funções psíquicas são: a consciência, atenção, senso percepção, memória, afetividade, inteligência, pensamento, linguagem e vontade. Neste primeiro artigo trataremos da consciência.

A consciência é a função que nos permite estar em contato com a realidade, inclusive o conhecimento imediato da própria atividade mental. Graças à psicanálise, sabe-se que o mundo consciente representa apenas uma parte da atividade mental, uma vez que o inconsciente representa a maior parte da vertente do psiquismo humano.

Em termos de consciência precisamos ter em mente a noção de campo, quantidade e qualidade. Imaginemos uma lanterna apontada na direção de uma parede. A projeção forte e central de luz na parede nós chamamos de foco da consciência e a projeção secundária e mais fraca de luz que rodeia a luz central é chamada de franja da consciência. Se neste momento o meu foco é este artigo que escrevo, então este será o meu foco central de luz, mas nem por isso deixo de perceber o barulho de carros e pessoas que passam ao meu redor, a isso chamo de franja da consciência. A qualquer momento posso dirigir o foco da minha consciência para outra direção. A crise epilética é um exemplo da redução patológica da amplitude desse campo.

Para exemplificar a noção de quantidade poderemos relacionar a claridade dos processos mentais, ou seja, a intensidade da luz (acordado, vigil, atento, ter claridade nas percepções, poder perceber as coisas). Não ter consciência seria perder essa clareza e ausência da luminosidade mental (coma). Neste estágio o ser humano pode ir da lucidez ao coma numa situação patológica, e ir do vigil (acordado) ao sono profundo numa situação normal. Quando estamos passando do vigil para o sono profundo estamos entrando num estado hipnagógico, nesse estado acontecem as ilusões e alucinações.

A ilusão é uma confusão dos sentidos que provoca uma distorção da percepção. A ilusão pode ser causada por razões naturais (mudança de ambiente, deformação do ambiente, mudança de clima, etc) ou artificiais (camuflagem, mimetismo, efeitos sonoros, ilusionismo entre outros). Todos os sentidos podem ser confundidos por ilusões, mas as visuais são mais conhecidas. Uma vez que a percepção é baseada na interpretação dos sentidos, as pessoas podem experimentar ilusões de formas diferentes.

Alucinação é a

percepçãoreal de um objeto que não existe, ou seja, são percepções sem um estímuloexterno. Dizemos que a percepção é real, tendo em vista a convicção inabalável da pessoa que alucina em relação ao objeto alucinado. Sendo a percepção da alucinação de origem interna, emancipada de todas as variáveis que podem acompanhar os estímulos ambientais (iluminação, acuidade sensorial, etc.), um objecto alucinado muitas vezes é percebido mais nitidamente que os objetos reais de fato.

Muitas igrejas, talvez por ignorância, têm usado as ilusões e alucinações para mascarar fenômenos sobrenaturais que são explicados pela parapsicologia. O cristão católico não deve se preocupar com essas coisas achando que está sendo perseguido ou incomodado por forças ocultas ou coisa do tipo, ao contrário, ele precisa mergulhar na mística da oração e da vida cristã sem procurar sinais anormais da consciência.

Nós não negamos que fatos tenham realmente acontecidos com algumas pessoas, como visão de objetos ou pessoas que já faleceram, mas é claro em nossa doutrina que esses fatos são advindos da inconsciência humana ou da consciência patológica. O católico não pode acreditar em visão de vultos, encostos e maldição desse tipo. A nossa doutrina é muito clara quanto a ação do inimigo de Deus, que muitas vezes não tem nada a ver com o que pessoas desinformadas falam todos os dias na televisão.

A qualidade da consciência é o conteúdo apreendido pela luminosidade mental. Enquanto as anomalias quantitativas são deficitárias, as anomalias qualitativas implicam em distorção da realidade apreendida (alucinações, delírios ou alterações afetivas). Pessoas com pequenos distúrbios qualitativos são mais vuneráveis a persuasão e a sofismos (raciocínio aparentemente válido com o objetivo de dissimular a verdade). É verdade que muitas pessoas em nosso meio tem alguma forma de distúrbio qualitativo da consciência, isso explica a facilidade que falsos pastores tem de convencer o povo.

A consciência no “eu” corporal refere-se à consciência do próprio corpo como objeto. A consciência no eu é o que nos dá a manifestação da personalidade, seja no sentido corporal ou psicológico. A consciência do eu psicológico seria uma vivência da própria interioridade, ou seja, da própria personalização.

A consciência humana nos coloca diante de um grande dilema: Eu sou a razão da minha existência? O homem agora começa a entender que ele não é Deus, e esse é o primeiro ato de fé. A fé surge quando a consciência cria a curiosidade de saber quem nos fez. A célebre frase de Descartes “penso, logo existo”, propõe uma interrogação: “se existo, quem me fez?”. São Tomás de Aquino elaborou bem em suas teses quando afirmou que esse alguém que nos fez é a razão primeira e última da nossa existência e se chama Deus.

A consciência humana leva o homem a uma sede do infinito. Nada o preenche totalmente. Pense agora numa coisa que é preciso fazer apenas uma vez na vida para saciar o homem. O sexo? Não. Pois é, não existe. Por isso que Jesus disse a samaritana no poço de Jacó: “Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede, mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna”(Jo 4, 13-14).

Os falsos profetas aproveitam dessa sede que o povo tem para oferecer uma água barrenta, e quem está no deserto desse mundo, realmente toma qualquer água que se oferece. Cabe a nós cristãos oferecer a verdadeira água que é Jesus na Eucaristia.

Encerro este artigo com o belíssimo pensamento de Santo Agostinho: “Quer louvar-te o homem, esta parcela de tua criação! Tu próprio o incitas para que sinta prazer em louvar-te. Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti.”

Autor: Marcos Paulo  – 12/07/2008


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