Publicado por: marcospauloteixeira | Dezembro 13, 2008

FUNÇÕES PSÍQUICAS E CRISTIANISMO: PARTE II (ATENÇÃO)

atençãoDo artigo anterior, chegamos a conclusão que a consciência faz o homem ter consciência dele mesmo e que ele não é a razão da sua própria existência. Neste segundo artigo sobre funções psíquicas e cristianismo, tratarei da atenção.
A atenção é a capacidade de concentração e de apreensão dos estímulos e esta pode ser separadas em tipos, ou melhor, qualidades. A primeira qualidade da atenção é a tenacidade. A tenacidade é a capacidade do indivíduo dirigir e manter o foco sobre determinado objeto durante um certo período de tempo. A outra qualidade é a vigilância. A vigilância é a capacidade de apreensão, ou seja, a plasticidade mental que nos permite estar atento e poder dirigir, com facilidade, nosso foco de um para outro objeto, na dependência de estímulos que nos chegam.

É bem verdade que a afetividade e a vontade contribuem para a atenção. É mais prazeroso assistir um filme de um assunto interessante do que aqueles filmes de literatura que nos obrigam na escola.
A atenção ainda se divide em duas modalidades: atenção espontânea e atenção voluntária. A atenção espontânea é aquela que não requer esforço da vontade e nasce de um interesse afetivo. A atenção voluntária é aquela que parte de um esforço da vontade e requer uma concentração ativa. A alteração da atenção é a distração.

Imaginemos agora os magos quando viram a estrela que “anunciava” o nascimento do Menino Jesus. É lógico que eles não tinham a idéia de Trindade e que Jesus fosse a segunda pessoa da Santíssima Trindade, mas algo fazia com que toda atenção fosse dada a estrela que aparecia no oriente. Essa atenção que a princípio foi espontânea passa a voluntária, então eles decidem que deviam fazer uma longa viagem e procurar o menino Jesus. Ao chegar diante de rei Herodes eles perguntaram: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo”(Mt 2, 2). O interessante é que neste momento a atenção voluntária passa a virar meta.

Certo dia ouvi de um amigo que a muito tempo estava na Igreja Católica mas nunca tinha tido nenhuma experiência com Jesus. Ele me dizia que a ele foi apresentado os pés de Jesus, as mãos de Jesus, as chagas de Jesus e a história de Jesus, mas quando ele resolveu olhar nos olhos de Jesus e esse olhar mudou sua vida. Quem olha nos olhos de alguém remete a esse toda a atenção, e quem dá atenção a Jesus não tem como não se comover.

Imaginemos agora o olhar de Jesus para Judas antes do beijo. Jesus fixa o olhar em Judas e diz: “É, então, para isso que vens aqui?” (Mt 26, 50). Da mesma forma que a atenção virou meta para os magos, também virou para Judas. Como? Depois deste olhar, Judas esperava, de todo o seu coração, que Jesus ao ser entregue a Pilatos manifestasse o seu poder e destruísse o império Romano e começasse o seu reino definitivo aqui na Terra. É parecido com a aquela frase famosa de Maquiavel: “Os fins justificam os meios”. Mas o interessante aqui é a transformação da atenção em meta de vida. Judas mesmo traindo Jesus não esperava que tudo aquilo que ele tinha vivido em três anos terminasse daquela maneira trágica.

Como já foi dito, a vigilância é a segunda qualidade da atenção. Esta vigilância passa logo de voluntária para espontânea, e em situações delicadas esta só se mantém por amor.

Imaginemos agora Jesus se dirigindo para o monte das oliveiras no momento da angústia suprema (cf. Lc 22, 39-46). Diante de uma grande angústia todos nós esperamos que nossos amigos estejam a nossa disposição ao menos para nos consolar. Com Jesus aconteceu a mesma coisa. “Depois de ter rezado, levantou-se, foi ter com os discípulos e acho-os adormecidos de tristeza. Disse-lhes: Por que dormis?…” (Lc 22, 45-46). O curioso aqui é que algo distraiu os discípulos, e esse algo foi a tristeza. Quando estamos tristes perdemos a atenção e tão logo a meta. Podemos entender os discípulos do seguinte modo: Eles esperavamm que Jesus fosse o messias que iria libertar o povo de Deus do domínio opressor, mas naquele momento Jesus se apresentava angustiado e isso fez com que os discípulos adormecessem de tristeza.

Podemos entender facilmente quando uma pessoa querida, por um motivo qualquer, é presa numa penitenciária. Os amigos se entristecem e perdem toda atenção, ou seja, toda meta naquela pessoa, ao menos que tenham amor. O amor faz a atenção perseverar. Por isso que Jesus disse aos discípulos que acabaram de acordar: “Levantai-vos e orai, para não cairdes em tentação” (Lc 22, 46), ou seja, levantai-vos para que a vossa atenção=meta=escolha se transforme em amor.

Autor: Marcos Paulo – 13/07/2008


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