Publicado por: marcospauloteixeira | Janeiro 19, 2009

Devemos ser favoráveis aos jogos de azar?

Devemos ser favoráveis aos jogos de azar?

Por Marcos Pauloazar

A posição da Igreja Católica sobre o tema se encontra no CIC (catecismo da Igreja Católica) nº 2413 “Os jogos de azar (jogos de cartas, etc) ou as apostas, em si não são contrárias à justiça. Tornam-se moralmente inaceitáveis quando privam a pessoa daquilo que lhe é necessário para suprir suas necessidades e as dos outros. A paixão pelo jogo corre o risco de se transformar em uma dependência grave”

Os jogos de azar em si não são contrários à justiça, mas quando esse jogo priva o homem e os seus daquilo que é necessário torna-se moralmente inaceitável, diz a Igreja. Muitos defendem a legalização de cassinos no Brasil alegando que essa medida irá trazer investimentos para a região nordeste e, consequentemente, desenvolvimento para o país. Outros dizem: pode o estado ter o direito de não permitir que o cidadão gaste o seu dinheiro como queira? Outros dizem que a Igreja não é contrária a tal medida. Outros dizem que impedir que alguém jogue jogo de azar seria impedir a liberdade. Mas podemos dizer que o estado tem o direito de preservar sim a liberdade, mas não o abuso de tal liberdade. Ou seja, não temos o direito de fazer o mal.

Imaginemos agora um pai de família que perde todo o seu patrimônio numa única noite. Os seus filhos não são culpados pela perda no jogo, mas sofrerão as mesmas consequências que o pai. Isso pode ser até uma alusão ao pecado original. Os primeiros pais pecaram e nós herdamos o pecado. Um pai que de rico se torna um miserável, seus filhos, mesmo sem culpa, também herdarão a miséria. Nesse sentido a Igreja é contrária a legalização dos cassinos por incentivar, sem dúvidas, as práticas obcecadas e avarentas do desejo de ganhar. É claro que todos sabem que mais se perde do que se ganha nos cassinos. É uma esperança que não se realiza.

Outras pessoas comparam com os jogos das loterias. Mas as loterias são semanais, mensais e diárias, e num cassino pode se apostar várias vezes numa única noite, o que equivale a dizer que o trabalho de toda uma vida pode se tornar pó numa única noite.

É esse o desenvolvimento que queremos para o país? Emprego para alguns e misérias para outros. Parace exagero o que estou a falar aqui, mas não é. No Brasil essa prática é ilegal desde 1941, por isso não temos notícia de falências instantâneas por jogos de azar, mas em países que tal jogos são liberados o número de infortunos é grande.

Em 1997, o então Senador José Serra vislumbra outros malefícios para a proliferação de cassinos: abrigar rede de tráfico de drogas, prostituição, lavagem de dinheiro e recrutamento de pessoal para “trabalhar” nestes crimes (cf. “Sombra e Água Fresca in Folha de São Paulo, 15/9/97 – opinião).  

O que está em jogo não é o direito de empresários, mas sim o destino de muitas famílias.


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