Publicado por: marcospauloteixeira | Abril 5, 2009

Sobre preservativo, Papa faz convite a despertar humano e espiritual

Sobre preservativo, Papa faz convite a despertar humano e espiritual

Afirma o diretor da Rede Jesuíta Africana contra a AIDS

Por Roberta Sciamplicotti

ROMA, quinta-feira, 2 de abril de 2009 (ZENIT.org).- As palavras pronunciadas por Bento XVI ao início de sua viagem à África sobre o uso do preservativo na prevenção da AIDS provocaram uma tempestade nos meios de comunicação, mas são «um chamado ao despertar humano e espiritual» e não são em absoluto «irrealistas e ineficazes», sustenta o Pe. Michael Czern SJ, diretor da Rede Jesuíta Africana contra a AIDS (AJAN). 

Em um artigo publicado em Thinking faith, a revista virtual dos jesuítas britânicos, o Pe. Czerny explica que o Papa sublinhou um contraste fundamental entre o enfoque da Igreja e o que caracteriza os governos e organizações internacionais: «A política de saúde pública tem a ver com números e tendências, não com rostos e pessoas humanas. A visão cristã inclui tudo isso, mas amplia e aprofunda esta política». 

«Com uma visão integral, a Igreja vê cada pessoa como um filho de Deus, como um irmão ou uma irmã, cada um capaz tanto de pecado como de santidade (…) Frente não só à AIDS, mas às múltiplas crises em cada lugar do continente, os africanos têm um bom motivo, baseado na experiência, para crer na audaz visão da Igreja sobre eles.»

Sobre a afirmação do pontífice de que os preservativos não são uma resposta à enfermidade, mas que às vezes aumentam o problema, o Pe. Czerny sublinha que é preciso considerar «duas questões diferentes: o status moral dos atos individuais e a possibilidade de uma estratégia que compreende populações inteiras». 

Sobre os atos individuais, o jesuíta observa que, segundo os especialistas, quando o preservativo se usa corretamente, pode reduzir a possibilidade de infecção. «Fazer algo equivocado poderia ser mais seguro com um preservativo, mas a segurança não faz que o ato seja correto», comentou. 

Quanto à estratégia dirigida a populações inteiras, segundo Czerny o fato de que o uso do preservativo tenha reduzido os índices de contágio, é verdade só fora da África e em subgrupos identificáveis, como prostitutas e homens homossexuais, «não para uma população em geral». 

«Na realidade, a maior disponibilidade e o maior uso de preservativos estão consistentemente associados a mais altos (e não mais baixos) índices de infecção do HIV, talvez porque, quando se usa uma ‘tecnologia’ que reduz o risco, como os preservativos, -seperde com frequência o benefício (a redução do risco) porque as pessoas se colocam em mais ocasiões de contágio que se não tivessem tecnologia.»

No âmbito público, portanto, «uma política agressiva, baseada no preservativo, aumenta o problema porque afasta a atenção, a credibilidade e os recursos de estratégias mais eficazes, como a abstinência e a fidelidade», que «gozam de pouco apoio nos discursos ocidentais dominantes mas se apoiam em uma sólida pesquisa científica e sempre se incluem e inclusive se favorecem nas estratégias nacionais contra a AIDS na África». 

O Pe. Czerny declara que a promoção dos preservativos como estratégia para reduzir as infecções de HIV na população em geral «se baseia na probabilidade estatística e na plausibilidade intuitiva», «mas o que falta é o apoio científico». 

«Um preservativo é mais que um pedaço de látex – acrescenta; é também uma declaração sobre o significado da vida. Se na Europa ou no norte da América a ideia é bastante aceitável (ainda que não totalmente), na África a fertilidade é elogiada e o preservativo aparece como estranho e estrangeiro, e estranhos também os valores que encarna.»

Um jesuíta na África do Sul, recorda, disse-lhe que «a maior parte dos africanos pensa que ‘o Papa e os preservativos’ são um espetáculo montado pela mídia e não uma questão pela qual valha a pena gastar mais tinta». 

Como recordou Bento XVI, a solução à questão deve incluir dois elementos: sublinhar a dimensão humana da sexualidade, que deve estar «baseada na fé em Deus, no respeito de si mesmo e do outro e na esperança no futuro», e «uma verdadeira amizade oferecida sobretudo a quem sofre». 

Este serviço «compassivo e generoso» é o que se vive na África «praticamente desde o princípio»: «os enfermos de AIDS encontraram em geral aceitação, alívio e assistência por parte da Igreja, sejam membros dela ou não». 

«A formação da consciência e o tratamento desinteressado devem ir juntos – sublinha. Uma Igreja que serve incansavelmente os necessitados é também crível no ensinamento e na formação que oferece.»

O Pe. Czerny conclui recordando que «a maior parte dos africanos, católicos ou não, está de acordo» com as palavras do Papa porque considera o que disse «profundo e verdadeiro». 


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