Publicado por: marcospauloteixeira | Junho 26, 2009

Pergunta: Católicas dissidentes e ordenação de mulheres

Que pensar de uma ONG de católicas dissidentes, que defende o aborto, o matrimônio homossexual, um segundo matrimônio em caso de divórcio, o fim do celibato e a ordenação de mulheres? Por que as mulheres não podem ser ordenadas?

Primeiramente, é necessário dizer que não é bom católico aquele que funda uma associação com a finalidade de contestar de modo sistemático a doutrina da Igreja.

Depois, é necessária uma distinção: se se trata de questões de disciplina (como o fim do celibato), é possível discutir e desejar mudanças, apesar de o modo que essas senhoras escolheram para reclamar não ser o mais construtivo. Contudo, se se trata de questões doutrinais (casamento sacramental de homossexuais, ordenação de mulheres, aborto) aí esse grupo afasta-se da fé católica e já não pode ser considerado realmente católico. 

Quanto à questão da ordenação de mulheres, vejamos. Cristo e os apóstolos chamaram somente homens para o sacerdócio:

(1) Cristo quebrou tantos tabus em relação às mulheres: aceitou dinheiro delas, confiou a uma delas o anúncio da ressurreição, conversava publicamente com elas – o que era um escândalo para a época. Mas, não chamou nenhuma delas para o grupo dos Doze. Não era por machismo nem por medo da mentalidade da época, já que em outras coisas ele rompeu com os preconceitos. Devia haver outro motivo…

(2) Os apóstolos tiveram o mesmo comportamento. Mais ainda: no mundo grego, onde eles anunciaram o Evangelho, havia sacerdotisas… Teria sido fácil aceitar mulheres cristãs no ministério ordenado… No entanto, somente aos homens os apóstolos conferiram esse ministério. Seguiram o comportamento de Jesus…

(3) Ao longo de toda a sua história, a Igreja jamais ordenou mulheres e sempre considerou que o Senhor não as chamou para o ministério ordenado. Na Idade Média houve abadessas poderosíssimas, como a de Las Huelgas, por exemplo; houve mulheres de prestígio enorme, como Santa Catarina de Sena, que repreendeu o próprio Papa, mas nenhuma delas foi ordenada.

(4) Recentemente, o Papa João Paulo II, num documento oficial aos Bispos, a Carta Ordinatio Sacerdotalis, de 1992, confirmou como sendo doutrina de fé que a Igreja NÃO PODE, NÃO TEM AUTORIDADE, para ordenar mulheres! E o Papa explicou que tal ensinamento é DEFINITIVO, isto é jamais poderá ser modificado por nenhum papa futuro! Isto é, o Papa ensinou que a Igreja, ao não ordenar mulheres, não estava simplesmente seguindo um costume cultural, mas algo determinado pelo próprio Senhor. Isto significa que essa questão não é somente de disciplina, mas de doutrina católica. Um católico que seja fiel ao magistério da Igreja não deve mais colocar em questão a não ordenação de mulheres. 

Mas, por que Cristo não ordenou mulheres?  

Esta é uma questão que a teologia deve ainda aprofundar melhor. Contudo, uma primeira reposta é a seguinte: o Novo Testamento apresenta Cristo como Esposo da Igreja. Ele a desposou para sempre na cruz. Cristo é o Esposo e Cabeça da Igreja, que é  seu Corpo e sua Esposa. Ora, o ministro ordenado, pelo sacramento da Ordem, é imagem e representação do Cristo Cabeça e Esposo da Igreja. Somente alguém do sexo masculino está apto para tal representação, pois, se o Filho eterno não tem sexo, enquanto Deus, enquanto ser humano concreto assumiu o sexo masculino. A ordenação das mulheres quebraria toda esta simbologia da Aliança, tão presente e importante na Sagrada Escritura. A Igreja-comunidade é esposa que, reunida sob a presidência do Cristo-Esposo, tornado presente sacramentalmente pelo ministro ordenado, oferece a Deus o sacrifício de louvor, a Eucaristia.

É importante salientar que aqui não há desrespeito aos direitos das mulheres, por dois motivos: (1) diante de Deus não temos direito algum: tudo é GRAÇA; Deus chama quem ele quer! Seria absurdo reivindicar uma vocação! e (2) o sacerdócio não deve ser visto como uma honra, um poder, mas como um serviço. Reivindicar o ministério ordenado como direito é não compreender a dinâmica da graça, nem o ministério como serviço, nem a Igreja como comunidade diversificada, na qual nem todos fazem a mesma coisa! As mulheres têm a missão de participar ativamente da vida da Igreja, inclusive das decisões… Poderiam até ser Cardeais (que não necessita do sacramento da Ordem – um leigo pode sê-lo…). Certamente as mulheres e os leigos em geral devem ser mais ouvidos na Igreja. Para isso, não precisam ser ordenadas!

Uma última observação: a Igreja não é uma democracia, na qual a maioria vence. Ela é comunhão no Espírito do Cristo ressuscitado. A Igreja é de Cristo: estar nela é aceitar o Senhor e seu poder soberano com humildade e fé. A Igreja não pode inventar-se e reinventar-se a si mesma!

Fonte: www.padrehenrique.com


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