Publicado por: marcospauloteixeira | Outubro 10, 2009

O que tem de errado na prevenção da AIDS?

O que tem de errado na prevenção da AIDS?

Por Marcos Paulo Teixeira

 A Revista do plano de saúde HUMANA SAÚDE‚ trouxe no seu exemplar n° 5 uma entrevista com o Dr. David Uip (Diretor do Instituto Emílio Ribas e ex-diretor do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. David Uip é considerado um dos principais infectologistas do País.

 Dentre outros assuntos como H1N1‚ sistema público de saúde etc‚ foi indagado a sua posição em relação a AIDS.

 Revista: Qual a sua avaliação a respeito da situação da Aids‚ hoje?

 Dr. David Uip: Estou muito preocupado. No meu consultório tenho visto muitos casos de recém-infectados‚ em diferentes faixas etárias: jovens‚ adultos já maduros. São pessoas que possuem conhecimento‚ cultura e informação. As pessoas deixaram de levar a doença a sério. Não dá pra admitir que indivíduos com alto nível social e cultural‚ nos dias de hoje‚ adquiram Aids. E o vírus já é conhecido desde 1982. É muito tempo. Estou muito desanimado. Todo o investimento na prevenção‚ tanta informação divulgada‚ parece não resolver. Tentar mudar comportamento é absolutamente difícil. A vacina não vai estar disponível nos próximos anos. Então‚ é uma doença que está banalizada e aumeneta muito.

 

Respondendo ao Dr. David Uip

 

“Estou muito preocupado. No meu consultório tenho visto muitos casos de recém-infectados‚ em diferentes faixas etárias: jovens‚ adultos já maduros.”

 

O governo federal diz que a AIDS no Brasil está sob controle. Então Dr. David Uip por que a preocupação? Será que a situação da AIDS no Brasil está fugindo do controle e isso não é passado para a massa?

 

“São pessoas que possuem conhecimento‚ cultura e informação. As pessoas deixaram de levar a doença a sério.”

 

 E o que é levar a sério? É usar camisinha?

Nunca houve‚ desde 1982‚ um período onde as pessoas mais usassem camisinha do que esse atual. E então qual o problema?

 

Será que a camisinha é realmente um método eficaz para barrar uma doença como essa?

Desde a década de 80 nenhum país‚ que usasse a camisinha como primeiro método de controle da AIDS‚ conseguiu êxito. E então qual o problema?

 

“Não dá pra admitir que indivíduos com alto nível social e cultural‚ nos dias de hoje‚ adquiram Aids. E o vírus já é conhecido desde 1982. É muito tempo. Estou muito desanimado.”

 

Como assim indivíduos com alto nível social e cultural? E o que eles deveriam ter feito? Usar camisinha?

 

Vejamos essas pesquisas de pessoas com um alto nível social e cultural:

 

A Food Drug Adminstration (FDA) – entidade do governo americano encarregada de aprovar medicamentos , próteses, aditivos, alimentos etc, estudou 430 marcas com 102 000 preservativos; 165 fabricados nos EUA com 38 000 preservativos e 265 marcas estrangeiras com 64 000 preservativos. O resultado verificou que 12% das marcas americanas e 21% das estrangeiras não tinha um nível suficiente de qualidade. Aceitando essa taxa de defeitos,a probabilidade de falha no caso seria 20,8% anual se mantivessem relações uma vez por semana e de 41,6% se fossem duas vezes por semana.

O Dr. Ronald F. Carey, investigador na FDA (Food and Drug Administration), órgão governamental norte-americano responsável por fiscalizar alimentos e drogas, pôs à prova 89 preservativos em uma máquina simuladora da relação sexual, e encontrou que pelo menos 29 deixaram passar partículas do tamanho do vírus da AIDS.

 

A falha foi de 33% (Ronald F. Carey, Ph.D., et al, “Effectiveness of Latex Condoms as a Barrier to Human Immunodeficiency Virus-sized Particles Under conditions of Simulated Use,” Sexually Transmitted Diseases 19:4 (July-August 1992), pp. 230-234.

Em 1992, o Dr. Ronald F. Carey, introduziu microesferas de poliestireno do diâmetro do HIV em preservativos que tinham superado positivamente o teste da FDA e os submeteu a variações de pressão similares às que produzem numa relação sexual. 1/3 deles perdeu entre 0,4 a 1,6 nanolitros.

 

Numa relação sexual de dois minutos, com um preservativo que perde um nanolitro por segundo, passariam 12 000 vírus de HIV. A porosidade do látex pode permitir a passagem de milhares de vírus da AIDS, com toda a sua carga mortífera. Este vírus é 450 vezes menor que o espermatozóide.

 

E então Dr. David Uip‚ o que as pessoas cultas deveriam fazer? Confiar na propagando do governo que diz que pela camisinha não passa nada?

 

Veja essa outra pesquisa:

A Dra. Susan C. Weller, da Escola Médica de Galveston, Universidade do Texas, depois de 11 estudos sobre a efetividade do preservativo, encontrou uma falha de 31% na proteção contra a transmissão da AIDS. Diz ela: “Estes resultados indicam que os usuários do preservativo terão cerca de um terço de chance de se infectar em relação aos indivíduos praticando sexo ‘desprotegido’… O público em geral não pode entender a diferença entre ‘os preservativos podem reduzir o risco de’ e ‘os preservativos impedirão’ a transmissão do HIV. É um desserviço encorajar a crença de que os preservativos impedirão a transmissão do HIV. Preservativos não poderão eliminar o risco da transmissão sexual e, de fato, podem somente diminuir um pouco o risco” (Susan C. Weller, “A Meta-Analysis of Condom Effectiveness in Reducing Sexually Transmitted HIV” Soc Sci Med 36:12 ( 1993), pp. 1635-1644, os grifos são dela).

 

Caro‚ Dr. David Uip‚ se o senhor sabia dessas pesquisas então agora posso entender a sua angústia.

 

Tem coisa na vida que possui uma simples solução‚ por exemplo: Quando é que 2 + 2 não dá 4???? Ora‚ é lógico! Quando a conta está errada!

Então, se a camisinha nunca deu certo‚ pq insisir?

 

O argumento mais convincente, porém, acerca da ineficácia do preservativo, não é o resultado das duas pesquisas supracitadas. Muito mais simples é pensar o seguinte: os preservativos nunca foram considerados um método eficaz de se evitar gravidez (eu disse gravidez e não AIDS). Os preservativos têm uma taxa anual de sucesso de 85% na prevenção da gravidez. Há uma falha de 15%. (Elise F. Jones and Jacqueline Darroch Forrest, “Contraceptive Failure Rates Based on the 1988 NSFG (National Survey of Family I Growth):’ Family Planning Perspectives 24:1 (January/February 1992), pp. 12, 18). Se ela falha com os espermatozóides, imagine com o vírus HIV que é 450 vezes menor!

 

Dr,. David Uip‚ vc colocou: Todo o investimento na prevenção‚ tanta informação divulgada‚ parece não resolver. Tentar mudar comportamento é absolutamente difícil.

 

Mudar o comportamento é difícil? Temos outra saída?

 

UGANDA é o grande exemplo que a mudança de compartamento dá certo!

 

A Aids é uma doença de estilo de vida, disseminada principalmente pelo sexo desprotegido. Se as pessoas soubessem disso, poderiam evitá-la. Então batemos os tambores e demos o alarme.” O rufar dos tambores – o tradicional sinal de alarme das aldeias – anunciava boletins informativos do rádio e da televisão sobre a Aids várias vezes ao dia, sempre martelando a mensagem: A Aids é transmitida por relações sexuais… Você precisa se proteger… Não vale a pena morrer por sexo.

O programa de prevenção de Uganda se resumia a um trinômio: Abstinência, Fidelidade ou Camisinha. O presidente Museveni tirou o problema das mãos dos profissionais de saúde e montou uma unidade especial no seu gabinete. Agora batizada de Comissão de Aids de Uganda, a unidade foi a primeira do tipo em todo o mundo. Seus veículos tinham o lema “Voltinhas Zero” pintado na lateral. Criado pelo presidente, significa “fique com seu parceiro”. Todos os segmentos da sociedade se envolveram, de equipes esportivas a grupos musicais e curandeiros tradicionais. Ensinavam-se fatos sobre Aids em quase todas as salas de aula.

 

Veja os resultados de Uganda:

O índice de adultos com HIV na Uganda era cerca de 18‚8% há 15 anos. Em 2005‚ apenas 6‚7% da população resultou soropositiva.  (MASON. Colin em O Fracasso do Ocidente e o sucesso de Uganda. Boletin 35 – PRI – HIV/AIDS: 10/10/2007)

Em 1994‚ 61% dos meninos de uma escola entre 13 e 16 anos tinham vida sexual ativa‚ esse número diminuiu para 5% em 2001. (Seleções Reader’s Digest:”Contra Aids” – Jan 2004)

Em 1994‚ 24% das meninas de uma de escola entre 13 e 16 anos tinham vida sexual ativa‚ esse número diminui para 2% em 2001. (Seleções Reader’s Digest:”Contra Aids” – Jan 2004)

Em 1995‚ pouco mais da metade dos adultos era fiel a seus parceiros. Em 2000/2001 eram fiéis 97% dos homens casados e 88% das mulheres casadas. (Seleções Reader’s Digest:”Contra Aids” – Jan 2004)

 

Para finalizar‚ lembro de Joseph Goebbel‚ Ministro Alemão de Programa de informação e propaganda de Hitler em 1933 quando disse: UMA MENTIRA REPETIDA MIL VEZES TORNA-SE VERDADE ABSOLUTA.

Então, o governo continua com a frase: PELA CAMISINHA NÃO PASSA NADA. USE E CONFIE!

Será?


Responses

  1. […] https://marcospauloteixeira.wordpress.com/2009/10/10/o-tem-de-errado-na-prevencao-da-aids/ […]


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