Publicado por: marcospauloteixeira | Abril 9, 2010

Por que atacam o santo padre? Seis acusações, uma questão.

Por que atacam o santo padre? Seis acusações, uma questão.

A pedofilia é somente a última arma apontada para Joseph Ratzinger. Cada vez mais, ele é atacado onde mais exerce seu papel de liderança. Um por um, os pontos críticos de seu pontificado.

Por Sandro Magister

Os ataques ao Papa Joseph Ratzinger usando os escândalos envolvendo padres da Igreja como arma são uma constante em seu pontificado.

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São constantes porque cada vez mais, em terrenos diferentes, atacar Bento XVI significa atacar o homem que trabalhou e está trabalhando, nestes mesmos terrenos, com a melhor visão, direção e sucesso.

A tempestade que se seguiu à sua palestra em Ratisbona em 12 de setembro de 2006 foi o primeiro da série de ataques. Bento XVI foi acusado de ser inimigo do Islã, e um proponente incendiário do choque de civilizações. O mesmo homem que com clareza e coragem singulares havia revelado onde a raiz última da violência pode ser encontrada, em uma ideia de Deus mutilada de racionalidade, e então ensinou como superá-la.

A violência e até mesmo matanças que se seguiram às suas palavras foram a prova triste de que ele estava certo. Mas o fato de que ele tinha acertado na mosca foi confirmado acima de tudo pelo progresso que se viu daí em diante no diálogo entre a Igreja Católica e o Islã – não apesar da, mas justamente por causa da palestra em Ratisbona – do qual a carta ao Papa dos 138 intelectuais muçulmanos e a visita à Mesquita Azul em Istambul foram os sinais mais evidentes e promissores.

Com Bento XVI, o diálogo entre o Cristianismo e o Islã, bem como outras religiões, está atualmente prosseguindo com maior consciência sobre o que distingue, por virtude de fé, e o que pode unir, a lei natural escrita por Deus no coração de todo homem.

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Uma segunda onda de acusações contra o Papa Bento o retrata como um inimigo da razão moderna, e em particular de sua expressão suprema, a ciência. O pico desta campanha hostil foi alcançado em Janeiro de 2008, quando professores forçaram o Papa a cancelar uma visita à principal universidade de sua diocese, a Universidade de Roma “La Sapienza”.

E, no entanto – como previamente em Ratisbona e então em Paris no “Collège des Bernardins” em 12 de setembro de 2008 – o discurso que o Papa pretendia dar na Universidade de Roma era uma defesa formidável da conexão indissolúvel entre fé e razão, entre verdade e liberdade: “Eu não venho impor a fé, mas exortar a ter coragem para a verdade”.

O paradoxo é que Bento XVI é um grande “iluminista” em uma época em que a verdade tem tão poucos admiradores, e a dúvida está no comando, ao ponto de se querer silenciar a verdade.

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A terceira acusação sistematicamente lançada contra Bento XVI é a de que ele seria um tradicionalista preso ao passado, um inimigo dos novos desenvolvimentos trazidos pelo Concílio Vaticano II.

Seu discurso à Cúria Romana em 22 de dezembro de 2005 sobre a interpretação do Concílio, e em 2007 sobre a liberalização do rito antigo da Missa são apontados como as provas nas mãos dos acusadores.

Na realidade, a Tradição à qual Bento XVI é fiel é aquela da grande história da Igreja, de suas origens até nossos dias, que não tem nada a ver com um apego formalista ao passado. No discurso à Cúria mencionado, para exemplificar a “reforma em continuidade” representada pelo Vaticano II, o Papa recordou a questão da liberdade religiosa. Para afirmá-la completamente – ele explicou – o Concílio precisou retornar às origens da Igreja, aos primeiros mártires, àquele “profundo patrimônio” da tradição cristã que nos séculos recentes havia sido perdido, e foi reencontrado, graças em parte à crítica da razão iluminista.

Quanto à liturgia, se existe um autêntico perpetuador do grande movimento litúrgico que floresceu na Igreja entre os séculos dezenove e vinte, de Prósper Guéranger a Romano Guardini, é justamente Ratzinger.

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Uma quarta linha de ataque segue a mesma linha da anterior. Bento XVI é acusado de atrasar o ecumenismo, de colocar a reconciliação com os Lefebristas acima do diálogo com outras confissões Cristãs.

Os fatos, entretanto, dizem o oposto. Desde que Ratzinger foi feito Papa, a jornada de reconciliação com as Igrejas Orientais tem dado passos extraordinários. Tanto com as Igrejas Bizantinas, que respondem ao patriarcado ecumênico de Constantinopla, e – mais surpreendentemente – com o patriarcado de Moscou.

E se isto ocorreu, foi precisamente por causa da reavivada fidelidade à grande Tradição – desde o primeiro milênio – que é uma característica deste Papa, além do que é a alma das Igrejas Orientais.

Do lado do Ocidente, novamente o amor pela Tradição é que está levando pessoas e grupos de comunhão anglicana a pedir para ingressar na Igreja de Roma.

Já quanto aos Lefebristas, o que está impedindo a sua reintegração é exatamente o apego deles às formas passadas da Igreja e da doutrina erroneamente identificadas como Tradição perene. A revogação da excomunhão de quatro de seus bispos, em Janeiro de 2009, nada fez quanto ao estado de cisma no qual eles permanecem, da mesma forma que em 1964 a revogação das excomunhões entre Roma e Constantinopla não curou o cisma entre Oriente e Ocidente, mas tornou possível um diálogo visando à unidade.

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Os quatro bispos Lefebristas cuja excomunhão Bento XVI levantou incluíam o inglês Richard Williamson, um antisemita e negador do Holocausto. No rito antigo liberado, há até mesmo uma oração para que os judeus “possam reconhecer Jesus Cristo como salvador de todos os homens”.

Estes e outros fatos ajudaram a alimentar protestos persistentes no mundo judaico contra o atual Papa, com pontos significantes de radicalismo. E é uma quinta linha de acusação.

A última arma deste protesto foi uma passagem de um sermão pregado na Basílica de São Pedro na Sexta-Feira Santa, na presença do Papa, pelo Pregador da Casa Pontifícia, Pe. Raniero Cantalamessa. O trecho incriminador foi uma citação de uma carta escrita por um Judeu, mas apesar disso o furor foi na direção exclusivamente do Papa.

E no entanto, nada é mais contraditório que acusar Bento XVI de inimizade com os judeus.

Nenhum outro Papa antes dele foi tão longe ao definir uma visão positiva de relacionamento entre a Cristandade e o Judaísmo, deixando intacta a divisão essencial sobre se Jesus é ou não o Filho de Deus. No primeiro volume de seu “Jesus de Nazaré” publicado em 2007 – e perto de ter completado o segundo volume – Bento XVI escreveu páginas esplêndidas a esse respeito, em diálogo com um Rabino americano ainda vivo.

Muitos judeus veem Ratzinger de fato como um amigo. Mas na mídia internacional, a coisa é diferente, o que se vê é praticamente e exclusivamente “fogo amigo” partindo dos judeus chovendo no Papa que melhor os entende e os ama.

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Finalmente, uma sexta acusação – bastante atual – contra ratzinger é que ele teria “encoberto” escândalos de sacerdotes que abusaram sexualmente de menores.

Aqui, da mesma forma, a acusação é contra o mesmo homem que fez mais que qualquer outro na hierarquia eclesiástica para sanar este escândalo, com efeitos positivos que já podem ser vistos aqui e acolá, em especial nos Estados Unidos, onde a incidência do fenômeno em meio ao clero católico tem diminuído de forma significante nos últimos anos.

Mas onde a ferida ainda está aberta, como na Irlanda, foi novamente Bento XVI que pediu que a Igreja daquele país se pusesse em um estado de penitência, uma exigência que ele formulou em uma carta pastoral sem precedentes em 19 de março último.

O fato é que a campanha internacional contra a pedofilia tem somente um alvo hoje, o Papa. Os casos desenterrados do passado o são sempre com a intenção de ligá-los a ele, tanto quando era Arcebispo de Munique quanto quando era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, além do tempo em Ratisbona pelos anos em que o irmão do Papa, Georg, dirigiu o coral infantil da catedral.

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As seis linhas de acusação contra Bento XVI só levantam uma questão.

Porque este Papa está sob constante ataque, de fora da Igreja, mas também de dentro, apesar de sua inocência óbvia com respeito às acusações?

O início da resposta é que ele está sistematicamente sob ataque justamente pelo que ele faz, pelo que ele diz, e pelo que ele é.

Fonte:

http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1342796?eng=y


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