Publicado por: marcospauloteixeira | Abril 11, 2010

Tradição: Palavra de Deus não escrita. Leia e entenda.

Tradição: Palavra de Deus não escrita. Leia e entenda.

Por Renato Salles

Existem na Igreja Católica duas fontes de Revelação:

1 – A Sagrada Escritura
2 – A Sagrada Tradição


O que é a Tradição?

Tradição vem do latim tradere que significa transmitir. “A Tradição é a palavra de Deus não-escrita, mas ensinada de viva voz por Jesus Cristo e pelos Apóstolos que chegou sem alteração, de século em século, por meio da Igreja, até nós.” (Catecismo Maior de São Pio X, 2005 p. 211) Em outras palavras Jesus ensinou de viva voz aos apóstolos que transmitiram aos primeiros bispos e estes porventura transmitiram aos seus sucessores e assim por diante.

É um erro pensar que apenas a Sagrada Escritura é fonte de Revelação como fazem os protestantes pois os evangelistas não escreveram todas as verdades que haviam aprendido de Nosso Senhor: “E tem também outras muitas coisas que fez Jesus, que se fossem escritas cada uma delas, não caberiam no mundo tantos livros que se haveriam de escrever.” (Jo 21,25).

Cristo não mandou os apóstolos escreverem um evangelho para propagar sua doutrina, mas sim de pregá-la de viva voz: “E lhes disse: Vão por todo o mundo; prediquem o Evangelho a toda criatura.”( Mc 16,15). São Paulo mesmo já dizia “A Fé vem pelo ouvido” (Rm 10, 17). Por exemplo, São Lucas nos diz em seu evangelho que Nosso Senhor passou, depois de sua ressurreição, 40 dias instruindo os seus apóstolos sobre o reino do Céu, ou seja, sobre sua Igreja, mas o evangelho não diz quais foram estas instruções. O próprio símbolo dos apóstolos (o credo) foi ensinado de viva voz e recitado de memória até o século VI. Todavia, alguns apóstolos escreveram uma parte do ensino de Nosso Senhor, mas aqueles não o apresentam como um corpo completo de sua doutrina, mas apenas fatos principais de sua vida e alguns pontos de Fé e de Moral.

Um outro ponto interessante é que a Tradição é provada até pelos adeptos do Sola Scriptura, pois a própria aceitação da Bíblia como livro de inspiração divina chegou até nós por Tradição. A substituição do sábado pelo domingo como dia do Senhor é outro exemplo de Tradição que chegou até nós e que é, também, aceita pelos protestantes.

Meios onde se encontram consignadas os ensinamentos da Tradição

As verdades ensinadas oralmente pelos apóstolos foram escritas mais tarde e transmitidas por diversos meios. Estes meios são:

a) os Símbolos –> o símbolo dos Apóstolos, de Nicéia, de Santo Atanásio.

b) os Concílios –> os concílios gerais são a voz da Igreja universal. Todos embasaram suas decisões sobre o ensinamento anterior e particularmente sobre as dos primeiros séculos. Sua doutrina não pode diferir da dos apóstolos.
 
c) Escritos dos Santos Padres –> Os escritos dos santos padres são o grande canal da Tradição Divina. Chamam-se Padres da Igreja os escritores eclesiásticos dos primeiros séculos reconhecidos como Testemunhas da Tradição. Para se requerer este titulo são necessárias quatro condições:
1 – uma doutrina sublime
2 – uma santidade notável
3 – uma remota antiguidade
4 – o testemunho da Igreja
 
Os primeiros padres que escreveram a tradição apostólica são: – Clemente de Roma,100 DC
– Santo Inácio de Antioquia, 107 DC
– São Policarpo, 166 DC
– São Justino, 166 DC
– Santo Irineu, 202 DC
– São Clemente de Alexandria, 217 DC
– Entre outros

Tertuliano, Orígenes e Eusébio, etc, não são mais que escritores eclesiásticos, pois não são santos. Se às vezes se dá o nome de Padres é por sua antiguidade e pelo brilho de sua doutrina.

Os Padres da Igreja se dividem em 2 categorias: Padres Gregos e Latinos.

Principais Padres Gregos


 
– Santo Atanásio, patriarca de Alexandria (296-373)
– São Basílio, arcebispo de Cesareia (329-379)
– São Gregório, arcebispo de Nacianzo (329-389)
– São João Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla (347-407)
 
Principais Padres Latinos
 
– Santo Ambrosio, arcebispo de Milão (340-397)
– Santo Hilário, bispo de Poitiers, morto em 367
– São Jerônimo, presbitero, tradutor da Biblia (346-420)
– Santo Agostinho, bispo de Hipona (358-430)
– São Gregório Magno, Papa (543-604)
 
Enquanto Testemunhas da Tradição, os Padres possuem uma autoridade especial. Quando vários apresentam uma doutrina como pertencente à Tradição Apostólica, aquela merece o assentimento de nossa Fé, pois é impossível que autores de diversos séculos, de diversas localidades diferentes estejam de acordo ao colocar em suas obras as mesmas crenças se não as receberam por Tradição. d) os Livros litúrgicos –> o missal, o pontifical, o ritual, o breviário etc contém as orações, cerimônias em uso para o Santo Sacrifício, para administração dos sacramentos etc. Estes livros que datam dos primeiros séculos, tem suma importância, pelo testemunho da fé de toda a Igreja.

e) Atas dos mártires –> Estas atas, por nos fornecer as verdades que os mártires selaram com seu sangue, nos mostram provas incontestáveis da fé primitiva da Igreja.

f) Monumentos públicos –> As inscrições gravadas nos sepulcros ou nos monumentos públicos, testemunham a crença dos primeiros cristãos acerca do batismo das crianças, a invocação dos Santos, o culto das imagens e das relíquias, etc. Os confessionários encontrados nas Catacumbas de Roma provam a divina instituição da confissão sacramental.

4) A autoridade da Sagrada Tradição

A Sagrada Tradição possui a mesma autoridade da Sagrada Escritura, pois é igualmente palavra de Deus, pois consiste nas verdades que Deus nos revelou e que são conservadas mediante o ensinamento infalível da Igreja. Em sentido lato, ela, inclusive, contém a Bíblia dado que a própria Bíblia foi considerada pelo Magistério da Igreja de inspiração divina por causa da Tradição, já que esta é anterior àquela. Em sentido estrito, ela se refere apenas ao conjunto de ensinamentos extra-biblicos.

A Tradição pode ser dividida em tradição objetiva e tradição subjetiva:

1 – tradição objetiva à é o conjunto de verdades transmitidas
2 – tradição subjetiva à é órgão por meio do qual se transmite estas verdades. Este órgão é o Magistério da Igreja.

É bom lembrar que a Igreja não inventa uma tradição nova, ela, através de seu Magistério, apenas explicita, clareia um dado da Revelação – seja da Sagrada Escritura, seja da Tradição – para a crença dos fieis, pois muitas vezes os ensinamentos contidos na Sagrada Escritura ou na Tradição são de difícil interpretação e acabam por dar origem a interpretações contrárias. Faz-se necessário também distinguir entre uma tradição que é puramente humana das Tradições Divinas. Para isto deve-se seguir algumas regras como as seguintes:

I – Toda a doutrina não contida na Sagrada Escritura e admitida como de Fé pela Igreja, pertence à Tradição Divina. É segundo esta regra que reconhecemos os livros canônicos por exemplo.

II – Todos os costumes da Igreja que se encontram em todos os séculos passados, sem que se possa atribuir sua instituição a nenhum concilio nem a nenhum papa, deve ser considerada como de instituição apostólica como por exemplo o sinal da cruz.

III – O assentimento unânime ou quase unânime dos Santos Padres acerca de um dogma ou de uma Lei que não pode ser encontrada na Sagrada Escritura, é um sinal infalível que este Dogma ou esta Lei são de Tradição Divina.

Referências

_P.A. HILLAIRE. La Religion demonstrada.

Enviado por Phillipy Ricardo


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