Publicado por: marcospauloteixeira | Novembro 15, 2010

Desabafo de um jovem Padre

Meus queridos irmãos, este texto mostra o desabafo de um padre diante de um curso de atualização para o clero onde o padre palestrante (notadamente adepto à teologia da libertação) tenta acabar com a Igreja.

 Importante ler isso…

Fonte:  blog de Dom Henrique Soares: http://costa_hs.blog.uol.com.br/arch2010-08-22_2010-08-28.html

 

DESABAFO DE UM JOVEM PADRE

 REFLEXÕES APÓS UM “CURSO DE ATUALIZAÇÃO PARA O CLERO”

 Caro Internauta, recebi este texto e o coloco aqui porque, infelizmente, espelha uma realidade muito frequente na Igreja atual. Digo-lhe: ai daqueles que, pretensamente teólogos, colocam-se acima do Evangelho ou acima da Igreja! Não são teólogos, mas charlatães, ainda que tenham títulos acadêmicos! Já não se pode mais suportar tanto mal feito à Igreja pelos que deveriam da Igreja estar a serviço ! Compreendo o desabafo deste jovem padre e coloco aqui seu texto em sincera solidariedade a ele! Mas, não temamos: as portas do inferno não prevalecerão! Ficarão na Igreja, nela sobreviverão os que não tiverem medo nem vergonha de ser católicos de corpo inteiro, fiéis a Cristo, fiéis à fé, fiéis ao Sucessor de Pedro!

 Gentis leitores, eu me permiti a antecipação de uma pausa no “Curso de atualização para o clero” no qual estava participando. É que eu precisava respirar, pois me sentia “esmagado” e escrevendo este texto-testemunho, desabafando, portanto, eu respiraria. Explico melhor. Naturalmente há dias em que – mais que noutros – me sinto “esmagado”: pelo próprio peso da vida passando, pelas exigências inerentes à alta vocação à qual fui chamado (e diante das quais me sei sempre muito aquém), pelos cansaços cotidianos, enfim, pela nefanda força do pecado que grassa em mim, pois batizado no Pai e no Filho e no Espírito Santo tive extirpado o câncer-matriz do pecado original, mas não as suas múltiplas metástases, as suas conseqüências ao largo da vida.

Naqueles dias do tal “Curso”, porém, estava me sentindo “esmagado” pelas palavras de um padre-assessor-palestrante. Sim, porque se é verdade que tantas vezes os fiéis leigos são “esmagados” por discursos e homilias tão mal preparados que chegam a exasperar alguns audientes, é igualmente verdadeiro que também nós fiéis padres passamos, vez em quando, pelas mesmas escabrosas situações. No meu caso esmagavam-me as palavras que ouvi sobre a Igreja: mal faladas, cheias de rancor, eivadas da ingratidão própria daqueles tipos pensantes que “cospem no prato em que comem”.

Ao meu senso católico não parecia que estávamos num “Curso de atualização para o clero”, mas numa ensinança sobre como destruir a Igreja a partir de dentro ou como reduzi-la ao completo não-ser, ou ainda sobre como arrancar-lhe os últimos traços identificadores. Ouvi verdadeiras “pérolas” – polidas e belas, embora – se não heréticas – heretizantes.

 Que sejamos obrigados a ouvir muitos disparates vida afora, sobre tudo e sobre todos, tenho como obrigação absolutamente normal. Mas não somos obrigados a acreditar nas sandices que nos são propaladas, isto não! Não somos obrigados a violentar a nossa consciência. Aliás, ouvi imprudências e deturpações também em relação a esta memorável citação do cardeal inglês Newman (que em breve será beatificado por Bento XVI durante sua viagem apostólica à Inglaterra): o cardeal Newman dizia que “a consciência é o primeiro dos vigários de Cristo”, mas disseram-nos lá no “Curso” que, por exemplo, as normas canônicas podem ser burladas sempre que (pretensamente) agredirem “a consciência que é o nosso primeiro vigário”. Tratar-se-ia aqui de uma diferença leve, sutil? Não, me parece que não! Newman – aliás, com profundo sentido de obediência e inteligência – disse esta frase pontuando a católica relação entre os fiéis católicos e o primado de Pedro e de seus sucessores, os Papas, (pois discutiam ardentemente em sua época em torno da definição do dogma da “infalibilidade papal” pelo Concílio Vaticano I) e foi neste sentido – e por este sentido – que tal citação fora aproveitada na redação do Catecismo da Igreja Católica posterior ao Concílio Vaticano II. Claro está – isto era de pressupor-se – que Newman não usaria deste pensamento para desdenhar a função dos demais Vigários de Cristo – nem do primeiro deles, nem dos segundos, nem dos terceiros… nem dos últimos. O cardeal Newman, que mediante a leitura profunda e honesta dos Padres da Igreja havia feito um “caminho de volta” à Igreja Romana e à obediência ao “branco Padre”, sabia, como antes já defendia o grande e santo abade cisterciense Bernardo de Claraval, que “quem se orienta consigo mesmo torna-se discípulo de um louco”, pois alça a própria e particular opinião em critério ditatorial para a verdade. A consciência dos outros deve ser levada em conta, mormente a “consciência” da Tradição viva da Igreja.

E aqui chego ao cerne da razão de minha crítica aos vitupérios que ouvi no referido “Curso”: faz-me rir a intolerância dos que defendem uma Igreja tolerante a tudo e a todos (porém, que ninguém ouse contradizê-los, viu?!); faz-me rir o fechamento ao dissenso justamente daqueles que insistem – à exaustão – numa “Igreja-comunhão-profundamente-democrática-amém!”; faz-me rir, enfim, a impaciência destes com o que chamam de “espírito de restauração” na Igreja ou “volta à grande disciplina” ao que eu chamaria simplesmente de “advento da geração daqueles e daquelas que perceberam que no aggiornamento pós-conciliar, às vezes por demais afoito e novidadeiro, jogou-se fora da bacia a água com a criança dentro.”. Advento da jovialmente chamada “geração Bento XVI” que valoriza a papal “hermenêutica da continuidade, não da ruptura” em relação à aplicação do sacrossanto Concílio Vaticano II. O próprio cardeal Ratzinger, antes de ser eleito Papa, falou e escreveu defendendo o que ele chamava, sobretudo no âmbito teológico e litúrgico, de “necessidade de uma ‘reforma da reforma’”.

 Mas permitam-me, enfim, iniciar uma pequena lista das pérolas ouvidas. A primeira delas, logo no início do “Curso”, foi que antes tínhamos uma pastoral dedutiva (que partia do dogma) e agora devemos ter uma pastoral indutiva (que parte da realidade destinatária da missão da Igreja) – mas nada foi dito sobre o que fazer quando a realidade cultural destinatária da mensagem da Igreja for estranha ou até contrária a Jesus Cristo e à sua mensagem salvadora/libertadora: purificá-la ou legitimá-la? Eis a questão que radicalmente se desdobra em muitas outras graves questões conseqüentes. É certo que acreditamos na preparação do Espírito em todas as culturas, fornindo-as dos elementos que as tornam aptas e propícias ao acolhimento de Jesus, o Cristo, e de seu anúncio do Reino de Deus; é certo que acreditamos que todas as culturas humanas podem informar o Evangelho, mas como não deixar claro a primazia do Evangelho em informar as culturas, purificando-as e elevando-as? Os dogmas (verdades de fé) deveriam então simplesmente serem “ajustados” – ou até modificados – no encontro com essas diversas realidades culturais? Pressupondo, é claro, as limitações contextuais da “linguagem dogmática”, a tarefa a ser feita não seria justamente o contrário de um desmonte dos dogmas, não seria enfim o caso da Igreja, mediante a ascese da conversão decorrente do acolhimento ao anúncio, levar as culturas à assunção de toda a amplitude significativa que se encerra nas formulações dogmáticas tradicionais?

Contudo, o nosso padre-assessor-palestrante não parou aqui. Prosseguindo, deu-nos mais uma “pérola” afirmando que na Igreja não há mais lugar para uma apologia da fé católica. Ora, é de nosso conhecimento mais ou menos comum que por apologia entendemos a “defesa da fé”: assim, por exemplo, o bispo Dom Frei Boaventura Kloppenburg, OFM, foi um grande apologeta popular da fé católica diante das investidas kardecistas Brasil afora, e o monge Dom Estevão Bettencourt, OSB, um grande apologeta popular da fé católica diante da emergência pós-moderna de inúmeras dúvidas lançadas à fé tradicional e de outras incontáveis propostas de espiritualidades alternativas à tradicional espiritualidade cristã católica. Mas a defesa da fé não está nem tem que estar necessariamente vinculada a um “espírito de cruzada” ou à intolerância diante do pluralismo religioso vigente. Pelo contrário, a defesa da fé é apenas uma das dimensões da apologia cristã: mostrar a razoabilidade da fé cristã católica, estar prontos para dar as razões da própria fé, desvelar o sentido interno da proposta integral e integradora da fé cristã católica são outros significados da apologia cristã. Ora, se o nosso atual contexto vivencial é precisamente pluralista (e fortemente apologeta dos direitos do pluralismo!) então – mais do que nunca, talvez! – mostrar a razão e o sentido da fé cristã católica, refutando também, com inteligência e esperteza, as críticas injustas que nos são feitas, não é atitude missionária opcional e ultramontana, mas condição sine qua non para algum êxito humano na hodierna missão da Igreja.

 Ouvi em seguida de nosso palestrante assustado (!) quanto o pasma a chegada de “uma juventude saudosista, que na Igreja tem nostalgia de coisas e situações que não viveram”. Vários estudos de antropólogos e sociólogos da religião lhe vieram de encontro, suportando o seu ponto de vista, sustentando-lhe a tese de que, sobretudo, os novos movimentos e novas comunidades na Igreja estão distantes de significarem um arejado compromisso de vínculo com a Igreja, mas são, tão somente, o reduto de jovens que – enquanto “produtos” – revelam ser um misto estranho da religiosidade triunfante do medievo com as características sociais da pós-modernidade, sobretudo a religiosidade difusa e não institucional. Logo ficou claro que o nosso palestrante pensava nos jovens que redescobrem a beleza da Liturgia celebrada, a reverência às normas da Liturgia e à teologia litúrgica, a emersão de novas comunidades de vida, etc. Penso, em contrário, não obstante reconhecendo argumentos válidos nas discussões críticas sobre os fenômenos religiosos recentes dentro e fora da Igreja, que ainda mais estranho é que existam tantos teólogos, professores e palestrantes, Igreja adentro, chegando ao absurdo de insinuarem que a Igreja de Cristo – após a pujança dos primórdios – começou de fato no Concílio Vaticano II, que desprezam descaradamente o desenvolvimento e os desbobramentos da Fé católica crida, celebrada, vivida e rezada nos séculos da chamada Idade Média, e que, no mais, vivem de elaborar e propagar severas críticas a realidades eclesiais que também eles não viveram; alimentam, outrossim, a legenda nera em relação à cristandade – eles, os mesmos que acusam às jovens gerações de serem fáceis adeptas da teoria da conspiração contra a Igreja e a sua pretensão de manter no mundo o seu vantajoso status quo. Lamentável que também neste ponto (estes tantos teólogos, professores e palestrantes) não percebam a “contradição em princípios” na qual incorrem.

Poderíamos fazer um vistoso colar com as muitas “pérolas” ouvidas, mas este texto-testemunho já está se alongando demais. Não posso, contudo, deixar de referir-lhes outra pérola, que para mim foi a mais insidiosa: na manhã do segundo dia do tal “Curso”, declarando-se sempre muito apegado à ortodoxia dos textos conciliares, sobretudo à Lumen Gentium e à Gaudium et Spes, o nosso padre-assessor-palestrante brindou-nos com uma declaração inaudita: “Não há distinção nenhuma entre ministérios ordinários e extraordinários, pois isto ofenderia ao sacerdócio comum dos fiéis”. Neste momento houve uma modesta, hesitante e tímida intervenção de um jovem padre que, com outras palavras, certamente quis dizer mais ou menos assim: “Então o que nós padres somos para os fiéis, qual a nossa função diante deles?”. A reação-resposta do padre palestrante foi de assustar: “A única coisa que Jesus fez foi anunciar o Reino. O resto é invenção nossa!”. Meu Deus! A Igreja é uma “invenção” humana? Os sacramentos são “invenções” do Concílio de Trento, assim sem mais? Seria o sacramento da Ordem um mero jogo do clero para legitimar sacramente o poder totalitarista e machista diante dos fiéis leigos? Terá mesmo sido sempre sinônimo de ignorante a palavra “leigo”, devemos aceitar isto sem pestanejar? Mas quem são os “fiéis”? Os diáconos, padres e bispos não serão também eles “fiéis”, não são também porção do povo de Deus?

E o que pensariam os gentis leitores se eu lhes dissesse que por fim o nosso “atualizador” negou a doutrina da providência de Deus e de seu governo na história ao dizer-nos que Ele não nos livra das quedas, não nos ajuda nas aflições, em suma, não intervém no curso deste mundo, senão que, para que o descubramos realmente, devemos passar pela mística experiência da “inutilidade” de Deus, da “crise de fé” e que estas “burilações” são prerrogativas dos inteligentes?

Gentis leitores que, por ventura (ou desventura?), lerem este desabafo de um jovem padre: ouvindo e lendo semelhantes coisas é ou não para nos assustarmos? A “beleza” destas “pérolas” torna-se ou não motivo suficiente para nos sentirmos “esmagados”? O que esperarmos? O que poderá nos consolar? Particularmente, consola-me a firme fé, transmitida junto com o leite materno que suguei de minha finada mãe, de que Deus é o Senhor da História, de que, de certo modo, Ele realmente “escreve certo por linhas tortas”, de que o seu Espírito renova todas as coisas, de que a sua providência é previdente, de que o seu governo é “desígnio salvador” querendo eternamente que todos os homens sejam salvos no seu Cristo, Jesus nosso Senhor – e que a esta finalidade o Pai tudo converge, queiramos ou não, a despeito de nós e de nossos “cursinhos” de atualização.

Guarde-nos o Senhor Deus, livre-nos de nós mesmos; ampare-nos a santíssima Virgem Maria!  

Um padre.

 


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