Publicado por: marcospauloteixeira | Outubro 12, 2011

COMUNHÃO DOS SANTOS

COMUNHÃO DOS SANTOS

Por Marcos Paulo Teixeira

 Meus irmãos, a frase protestante “Igreja não salva, quem salva é Jesus”, traz uma conclusão falsa: “Igreja não importa”. Logo, as pessoas podem participar de qualquer igreja e ao mesmo tempo podem não congregar em nenhuma. Esse relativismo religioso deixa a doutrina apostólica da comunhão dos Santos de lado.

 A Igreja Católica não é uma instituição puramente compreensível neste mundo. Ela possuí três estados, porém continua sendo a mesma Igreja Católica, fundada por Cristo e apascentada por Pedro.

A Igreja Católica é composta por uma igreja visível, dita militante que caminha neste mundo (que somos nós), uma igreja que está se purificando no purgatório (Igreja Padecente) e uma Igreja triunfante que já está na glória, junto de Deus. Porém a comunhão espiritual e a comunhão de bens entre os santos não é rompida com a morte. Isso deriva do lógico: Se Cristo venceu a morte, como poderia ela ainda nos separar?

 A Comunhão dos Santos é a união entre todos os membros da Igreja e a palavra de Deus nos mostra essa realidade. Vejamos:

“Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito. Assim o corpo não consiste em um só membro, mas em muitos.” (I Cor 12, 12-14)

 Paulo mostra que quando somos batizados, somos agora um só corpo. Essa é a graça de receber o Espírito do Ressuscitado que nos torna filhos de Deus e membros do corpo de Cristo, isto é a Igreja.

 A morte já não seria mais uma barreira para os que estão na graça de Deus. Logo, os santos que morreram na graça de Deus também participam dessa comunhão e podem manifestar essa comunhão também com intercessão. Vejam:

“Quando recebeu o livro‚ os quatro Animais e os vinte e quatro Anciãos prostraram-se diante do Cordeiro‚ tendo cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfume (que são as orações dos santos)” (Ap 5‚8).

São João mostra que diante do cordeiro as orações dos santos são como taças cheias de perfumes.

 Agora uma observação: Nem todos os mortos podem interceder, apenas os que estão na presença de Deus. Aquelas almas condenadas ao inferno não participam dessa comunhão, como mostro nas passagens que seguem.

 “Com efeito, os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem mais nada; para eles não há mais recompensa, porque sua lembrança está esquecida” (Ecl 9‚5)

“Tudo que tua mão encontra para fazer, faze-o com todas as tuas faculdades, pois que na região dos mortos, para onde vais, não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria.” (Ecl 9‚10)

Esses mortos que Eclesiastes cita, não são os mesmo mortos que diante do trono de Deus clamam por Justiça. Confira:

“Depois disso‚ vi uma grande multidão que ninguém podia contar‚ de toda nação‚ tribo‚ povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro‚ de vestes brancas e palmas na mão‚ e bradavam em alta voz: “A salvação é obra de nosso Deus‚ que está assentado no trono‚ e do cordeiro.” (Ap 7‚9-10)

“Quando abriu o quinto selo‚ vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz‚ dizendo: “Até quando tu‚ que és o Senhor‚ o Santo‚ o Verdadeiro‚ ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra?” (Ap 6‚ 9-10)

Viram a diferença? Os que podem interceder estão dentro da grande comunhão dos Santos.

 Há testemunho da Igreja primitiva sobre essa comunhão? Sim, vou citar alguns:

 São Clemente (Século I) : “Os que suportaram com confiança, herdaram glória e honra; foram exaltados, e Deus os inscreveu no seu memorial pelos séculos dos séculos. Amém.”

 Orígenes, pelo ano 250 d.C., afirmava que: “virtudes nesta vida são definitivamente aperfeiçoadas no além. Ora, a mais valiosa de todas é a caridade; esta, portanto, na outra vida é ainda mais ardente do que na vida presente. Por conseguinte, os santos exercem seu amor sobre os irmãos na terra, mediante a intercessão dirigida a Deus em favor das necessidades destes peregrinos.”

Santo Inácio no ano 107 d.C, antes do seu martírio, escreveu: “Meu espírito se sacrifica por vós, não somente agora, mas também quando eu chegar a Deus”

Então meus caros amigos, a Comunhão dos Santos não é uma doutrina nova. Ela é apostólica!

 Mas a Comunhão dos Santos se resume  em intercessão? Não! É algo muito maior.

 No Catecismo lemos:  “Uma vez que todos os crentes formam um só corpo, o bem de uns é comunicado aos outros… assim, é preciso crer que existe uma comunhão dos bens na Igreja. Mas o membro mais importante é Cristo, por ser a Cabeça… Assim, o bem de Cristo é comunicado a todos os membros, e essa comunicação se faz por meio dos sacramentos da Igreja.” [Sto. Tomás de Aquino, Symb. 13]. “Como esta Igreja é governada por um só e mesmo Espírito, todos os bens que ela recebeu se tornam necessariamente um fundo comum.” (CIC 947).

 “O termo “comunhão dos Santos” tem,  pois, dois significados intimamente interligados: “comunhão nas coisas santas (sancta)” e “comunhão entre as pessoas santas (sancti)”. (CIC 948)

 Vamos entender: os bens espirituais da Igreja, pertencem a todos os santos (não apenas os canonizados), mas todos nós que buscamos a santidade.

 Pela comunhão dos santos, um ato de virtude, caridade, etc…torna-se patrimônio da Igreja podendo auxiliar um outro membro da Igreja que se precipita no abismo do pecado, porém, um ato pecaminoso pode ter conseqüência a todos os membros, pois somos um único corpo místico.

 A comunhão dos Santos é também comunhão entre os três estados da Igreja (Militante, padecente e triunfante) e as orações da Igreja desta terra pode contribuir para a purificação das almas do purgatório, bem como as orações dos santos diante de Deus contribuem para a nossa vida enquanto Igreja militante.

 É por isso que dizemos que um monge, que nunca sai do mosteiro, pode contribuir imensamente com Igreja. Pois os seus méritos diante de Deus são compartilhados por todos. Quando estamos em estado de graça conservamos essa graça no corpo (a Igreja) e esse bem espiritual é usufruído  por todos.

Em Atos 4, Lucas mostra que essa comunhão é espiritual e também material: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuíam, mas tudo entre eles era comum.” (At 4,32).

A Igreja é um só coração e uma só alma. E em relação aos bens, a Igreja passou a se ajudar mutuamente. Por isso que pagamos o dízimo diferente dos protestantes, para eles o dízimo que os Judeus pagavam para sustentar os levitas deve continuar ainda hoje, porém não mais aos levitas e sim as igrejas. Nós, porém usamos o termo “dízimo”, mas é a comunhão a nossa lei.

 Obs: Já adiantando, pois sei que os leitores protestantes pedirão fundamentação bíblica do purgatório, já gostaria de indicar esse texto disponível em https://marcospauloteixeira.wordpress.com/2008/12/13/deve-se-acreditar-no-purgatorio/ , também um texto sobre a intercessão dos santos disponível em https://marcospauloteixeira.wordpress.com/2010/03/12/jesus-e-o-unico-intercessor/.

 Termino com a frase de S. Domingos moribundo a seus irmãos: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida.”

 Em Cristo,

Marcos Paulo

12 de outubro de 2011, festa de Nossa Senhora Aparecida (Imperatriz do Brasil)


Responses

  1. Prezado Marcos Paulo,
    A frase “igreja não salva, quem salva é Jesus”, está correta. Muitos que estão frequentando as igrejas evangélicas, infelizmente, serão condenados no dia do juízo final. De que adianta estar dentro de uma igreja e não cumprir com os ensinamentos de nosso Senhor Jesus??
    Ser cristão significa renunciar a muitas coisas, estamos na contra mão da humanidade. Mas Jesus diz que a porta é estreita. Mateus 07:13
    Purgatório é mais uma doutrina romana que não tem base bíblica. Vejamos: em Lucas 23:42,43 um dos ladrões diz – Jesus, lembre-se de mim quando o senhor vier como Rei!
    E Jesus responde: – Eu lhe afirmo que hoje você estará comigo no paraíso.
    Jesus não disse para o ladrão que ele teria que passar algum tempo no purgatório pra pagar seus pecados. O ladrão também não frequentava uma igreja, não foi batizado e nem fazia a caridade. Mas Jesus o salvou simplesmente pela sua fé.

    • Caro Renato, o antigo Testamento é a prefiguração do novo. A arca de Noé é pré-figura da Igreja de Cristo. Do mesmo mode que fora da Arca não houve salvação, do mesmo jeito fora da Igreja tb não há. Os limites invisíveis da Igreja Católica são grandes. Como Cristo fundou apenas uma só Igreja, as outras denominações que guardam as sagradas escrituras (mesmo que mutilada), alguns sacramentos e a vida de Oração, participam de um modo não pleno desta Igreja militante. Aqueles que nunca tiveram contato com o Cristo, mas que vivem seguindo a lei natural escrita no coração do homem, também pode salvar-se. Mas, mesmo assim salvam-se pela Igreja, pois é o modo ordinário que Cristo instituiu para que as pessoas tivessem a salvação.

      Só Jesus Salva, é verdade! Mas como ele salva é pela sua Igreja. É ela que nos oferece os sacramentos da salvação, foi ela quem discerniu os livros inspirados e por meio dela que participo da riqueza que é a comunhão dos santos. É por causa dela que guardamos o credo apostólico.

      Purgatório não pode ser uma doutrina dos “romanos”, pois foram os Judeus Cristãos que a pregaram. Leu o texto? Jesus fala desse estado de purificação, Paulo também fala e no livro de Macabeus tb.

      Quem precisa do purgatório? Ora, são aqueles em que os pecados veniais deixaram marcas na alma. Os pecados que matam, são dissolvidos pelo sacramento da penitência. Portanto, aqueles em que todas as culpas são absolvidas, não precisa de mais tempo para purificar-se. Com o bom ladrão, foi um caso especial. Observe com quem ele se encontrava naquele momento: Com o próprio Cristo preste a morrer na Cruz, por nós! Não seria esse um privilégio pra ele? Quanto privilégio também não teve sua alma ao receber o perdão de Deus naquele momento?

      Agora convenhamos!!! Como o ladrão poderia frequentar a Igreja, se Cristo ainda estava na Cruz? Ou você acha que naquele momento já existia catedrais e missas dominicais?
      Outra coisa, os mártires são batizados no próprio sangue e quanto a caridade, vc deve concordar que não deu tempo para o bom ladrão fazê-la, pois morreu logo em seguida.

      Lembra da parábola da vinha. Os que começaram a trabalhar cedo, receberam a mesma quantia dos trabalhadores da última hora. Foi o que aconteceu com o bom ladrão. Não tenho dúvidas que se depois daquele encontro com Jesus, ele conseguisse sair da Cruz, ele seria um bom cristão e caridoso. Porém, para os que podem ser caridosos e não são há um preço a pagar.

      Renato, como vc pode dizer que a caridade não importa para a salvação do homem. Ignoras essas passagens?

      “Que pratiquem o bem‚ se enriqueçam de boas obras‚ sejam generosos‚ comunicativos‚ ajuntem um tesouro sólido e excelente para seu futuro‚ afim de conquistarem a verdadeira vida.” (II Tm 6‚18-19)

      “Falai‚ pois‚ de tal modo e de tal modo procedei‚ como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aqueles que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento.” (Tiago 2‚12-13)

      “De que aproveitará‚ irmâos‚ a alguém dizer que tem fé‚ se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? (Tiago 2‚ 14)

      “Assim também a fé: se não tiver obras‚ é morta em si mesma Mas alguém dirá: “Tu tens fé‚ e eu tenho obras.” Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios crêem e tremem.” (Tiago 2‚ 19).

      “Havia em Cesaréia um homem por nome Cornélio, centurião da corte que se chamava Itálica. Era religioso: Ele e todos os de sua casa eram tementes a Deus. Dava muitas esmolas ao povo e orava constantemente. Este homem viu claramente numa visão, pela hora nona do dia aproximar-se dele um Anjo de Deus e o chamar: Cornélio! Cornélio fixou nele os olhos e, possuído de temor, perguntou: Que há Senhor? O Anjo replicou: As tuas orações e as tuas esmolas subiram à presença de Deus como uma oferta de lembrança.” (Atos 10,1-4)

      Para aprofundar sobre o tema sugiro esse meu texto: https://marcospauloteixeira.wordpress.com/2010/01/03/uma-vez-salvo-sempre-salvo/

      Abraços


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: